A língua portuguesa é realmente muito versátil... É que se estivermos atentos, esta tem inúmeros dialectos. Hoje apenas vou tratar de um em concreto, visto ser o mais usual: o Velhaquês. Este velhaquês tem várias variantes, mas usalmente é falado por pessoas que vivem em aldeias do interior e com idades compreendidas entre os 60 e os 100 anos (sendo que a partir dos 100 passam ao mudolês). Os diálogos encontrados entre este tipo de pessoas, normalmente, têm uma temática principal: doenças em partes desconhecidas do corpo. Passo a transcrever alguns exemplos:
Maria: Ai Zefa, que onte a minha Sofia veio-me cum palavreado tao bonito! Ela ta a estudar pa doutora e disse-me que o nosso cerébo num é feito de massa cinzenta! É de, como é que ela disse?
Ah! esta é a parte em que ela espera que as nossas capacidades de vidente funcionem...
Maria: Ah! Neurótios!
Oh minha querida, isso só se for o seu... olhe que o meu é de neurónios... Mas isso dos neurótios realmente explica muita coisa. Passemos à parte em que a Quina responde à Maria:
Quina: Ai a Sofia anda pa doutora? Ela bem que me podia ver aqui a minha basílica (vesícula)... É que eu agora como e sobem-me uns nojos por mim acima!
Oh dona Quina... Está bem de vida, sim senhora! Agora já tem basílicas? Depois ainda dizem que está crise... Quanto aos nojos, olhe se subissem por si abaixo era muito pior...
Maria: Eu vou falar com ela... Mas isso também pode ser fígaro.
Para além de Basílicas, estas pessoas costumam também ter uma imensa cultura geral e têm conversas profundas sobre o Fígaro e coisas semelhantes...
Quina: prontos Maria, vou pra casa porque o Manel ta a txigare e inda tenho que ir dar comida ao Luque...
A tendência para por nomes ingleses aos animais de estimação é muito frequente... Raramente, porém acertam com a pronúncia...
Maria: prontos... Até amanhã se nosso senhore não nos trouxer a cova antes...
Penso que não há mais nada a dizer...
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